(possibilidade 1)
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| (foto linn jardim) |
- Sozinha?
(senta ao lado e pede uma Brahma e dois copos)
- Aham.
- Opa! Como cê chama?
- Helena.
- Helena? Nome forte, einh?
(A) Helena de Tróia.
(B) Tenho uma tia-avó chamada Helena.
(C) Nossa, minha mãe também chama Helena. Maria Helena.
- É...
- E o que cê faz?
- Estudo biologia.
(A) Sou astronauta.
(B) Sou advogada.
(C) Sou espiã russa.
- Ah!, eu trampo com meu pai.
- Sei...
- Prazer, Maurício Jr.
(A) Gustavo Jr.
(B) Renato Jr.
(C) Júnior.
- Prazer.
- Gostei do bar. Vim pois uma amiga da facu tá fazendo festa de despedida, vai morar fora.
- A mina da facu que tu não comeu quando estudava ADM numa Uni qualquer?
(A) A Rafa do Mackenzie vai pra Austrália?
(B) A Pri da Anhembi vai pro Canadá?
(C) A Rô da FAAP vai pra Espanha?
- Gata, entendi nada. Mas e você?
- Eu o quê?
- Vem sempre aqui?
- Aham.
(A) Eu não tô aqui.
(B) Onde é que tô?
(C) Não costumo sair, não curto beber.
- Cê parece brava.
- Eu sei.
- Tem quantos anos?
- Tenho 29.
(A) Tâmo em que ano mesmo?
(B) 31.
(C) 27.
- Nossa, nem parece...
- Pois é.
- ...
- Bom, licença.
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(possibilidade 2)
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| (foto w.u) |
- Sozinha?
(senta ao lado e pede uma cerva trincando e dois copos)
- Aham.
- Então, como cê chama?
- Mariana.
(A) Helena, nome de personalidade forte, né?
(B) Helena, em homenagem a minha madrinha.
(C) Helena, que nem da novela.
- E o que cê faz?
- Trampo numa loja de roupa.
(A) Estudo.
(B) Bebo e estudo.
(C) Só bebo.
- Legal, einh?
- Muito.
- Eu sou o Luciano Filho.
(A) Marcelo Filho.
(B) Eduardo Filho.
(C) Ricardinho.
- Prazer.
- E cê vem sempre aqui?
- Não, primeira vez.
(A) Bastante.
(B) Toda semana.
(C) Aham, sempre.
- Cê parece que tá brava.
- Desculpa.
- Claro, desculpada. Qual sua idade?
- Não fala alto, mas tenho só 17.
(A) 29 anos.
(B) Quase 30.
(C) Completo 3 décadas logo mais.
- Seu segredo não sai dessa boca.
- Valeu.
- ...
- Vou ao banheiro, volto logo mais.
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(possibilidade 3)
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| (foto linn jardim) |
- Olá. Posso sentar?
(olha pra banqueta, olha nos meus olhos)
- Claro.
- Valeu... Prazer, Lucas.
(A) Pedro.
(B) João.
(C) Mateus.
- Prazer, Helena.
- Bebe algo?
- Sim, mas...
- Por favor, marca aqui um Red pra mim e pra ela...
(barman)
- Um Campari com duas pedras de gelo e uma rodela de laranja, né?
- É, valeu (nome do barman).
- Te vi quando cheguei. Pensei que você trampava aqui.
- Muitos pensam. Mas não. Nem gosto de vir aqui. Mas venho.
- Vem com frequência pelo visto.
- Sim.
- E pra quê?
- Gosto de todos que trabalham aqui. Chego a sentir saudades deles...
- Hmmm... Um minuto, vou ao banheiro.
- Ok. Ah!, use a última cabine...
- Voltei.
- Que bom. Banheiro estranho, né?
- Imagina. Normal pacas.
- Normal se tratando de banheiros que fogem do padrão de banheiros...
- E qual é o padrão de banheiros pra você, Helena?
- Em bar? Bom, tem que ter ao menos um masculino e ter ao menos um feminino. E portas! Com tranca!
- Verdade. Mas banheiros de bar pra serem bons não dependem apenas de como são...
- Concordo. Depende de quem usa os banheiros.
- É, se tem educação...
- E educação não vem em rolo de papel.
- Se viesse iria, pós descarga, encanamento abaixo.
- Não viaja, Lucas. Tem gente que vem aqui, enche a cara e perde a vergonha, o pudor e a capacidade de apertar um botão depois de mijar, cagar, gorfar... Se educação viesse em rolo de papel teria educação no chão, grudada no teto e na parede, educação boiando...Putz, foi mal, perdão.
- Pelo quê?
- Pelo meu palavreado.
- Ah...perdoada. Pudor e vergonha são mesmo palavras absurdamente desrespeitosas...
- Hehe.
- Você fuma?
- Fumo até demais.
- Bora?
- Bora.
- Afe, insuportável esse bando de gente. Vamos fumar ao lado do (nome do segurança).
- Não atrapalha a entrada?
- Não, pois como eu tu te questiona se atrapalha a entrada, portanto não iremos atrapalhar.
- E aê (nome do segurança). Lucas, (nome do segurança). (nome do segurança), Lucas.
- Beleza?
- Tranquilo.
- Tranquilo nada. Mó galera. Odeio o bar lotado.
- Tô ligado, mas quando cê vem bem-humorada o bar enche, cê contagia as pessoas.
- E quando ela tá mau-humorada?
- Cê corre!
- Baita exagero. Eu nem venho. Bora entrar, Lucas?
- Bora. Vou de novo ao banheiro.
- Ok.
- Quem é o cara, Helena?
- Sei lá. Mas é bacana.
- Que bom. Bom pra ele pois se fosse mané você...
- Lucas. Gosto de Lucas. Gosto de nomes com duas sílabas. Lucas, Lucas...
- Porra, cê curtiu mesmo o cara.
- Já volto.
- (nome do barman), me vê aquele Hi-Fi que só tu faz, babie.
- Tchá comigo.
- Hey, aqui!
- Hey!, ao menos não falou "psiu".
- Tu não é cachorro, Lucas.
- Não, mas cê sabe meu nome.
- Sei. Só isso eu sei, e tu também só sabe isso, meu nome.
- Que boba! Sei muito sobre você.
- Sabe nada.
- Sei que gosta de beber Campari, que mora perto e frequenta aqui pois se sente em casa. Você não curte o banheiro daqui nem pessoas sem educação. Sei que você fuma muito e finge ter mais vergonha de falar uma palavra feia do que fumar muito. Você é uma mulher contagiante... O que mais preciso saber?
- Não quer saber o que faço?
- Você quer que eu saiba?
- Sei lá, mostra interesse. E a minha idade, não importa?
- Pra você importa?
- O perguntar importa.
- Sei. Então me diz, cê tá com quantos anos?
- Tô com 29.
- Como vou saber se é verdade?
- Eu mostro o documento...
- Não importa se é verdade ou mentira, Helena. Mas me fala, o que cê faz?
- Posso mentir?
- Tanto faz.
- Como assim tanto faz?
- Assim: sou engenheiro químico, tenho 41 anos e moro na Lapa.
- Não te perguntei nada, Lucas.
- Sou corretor de imóveis, tenho 37 anos e moro em Pinheiros.
- Pára...
- Eu não faço nada, perdi a conta ao passar dos anos e sou de lugar algum. Agora me diz, quem sou eu?
- Tu é quem quiser ser. E eu, quem sou?
- Você é!
- Isso não me contenta.
- Ser não te basta?